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Lampião (Virgulino Ferreira da Silva)

De personalidade alegre, disposto, temperamento inconstante, sujeito a crises de fúria e descontrole, místico, religioso, rezador, intuição apurada, perspicaz, agudeza de raciocínio, inteligente, líder nato, exímio atirador de armas curtas e longas, fazendeiro, domador de animais de montaria, vaqueiro campeão, amante de bebidas finas, cigarros, charutos e mulheres, excelente trabalhador em couro e tecidos, narcisista, jogador de baralho sem sorte, impiedoso, cruel, vingativo, justiceiro - falso moralista, abusou sexualmente de algumas mulheres, embora, hoje, não sabemos se eram esposas ou filhas de inimigos. – mesmo assim são fatos lamentáveis e inaceitáveis para qualquer época de uma geração. Desconfiado, prudente, calculista, infiel, mas respeitador das opiniões da companheira, maleável até certo ponto, principalmente em algumas decisões a ponto de alterar as ordens dadas por interferências dela, respeitado, temido, considerado, perigoso, astuto, inquisidor, julgador, musico, dançarino, corajoso, amigo, leal, acreditava nas pessoas, perfeccionista, gostava de tudo o que era bom, rico, comerciante, artífice, laborioso, habilidoso e estrategista. Nasceu no dia 4 de junho de 1898, porém, só foi registrado no dia 12 deagosto de 1900. Nascido na cidade de Vila Bela, atual Serra Talhada, no semiárido do estado de Pernambuco, foi o terceiro filho de José Ferreira dos Santos e Maria Sucena da Purificação. Sendo seus padrinhos: Manoel Freire Lopes e Maria José da Solidade.
Sua família travava uma disputa mortal com outras famílias locais até que seu pai foi morto em confronto com a polícia em 1919. Em Junho de 1921 os Ferreiras entram no grupo de Sebastião Pereira e Silva, vulgo SinhôPereira, cangaceiro famoso de Serra Talhada - PE.
Quando foi nosprimeiros dias de junho de 1922, no sítio Feijão, zona rural do município pernambucano de Belmonte, próximo à fronteira do Ceará, Sinhô Pereira informou aos membros do seu bando, que em breve iria entregar o comando a Lampião, então o seu melhor cangaceiro. Apesar de ter menos de 27 anos de idade, Sinhô alegou problemas de saúde para a sua decisão e que seguia um apelo do mítico Padre Cícero Romão Batista, da cidade de Juazeiro, Ceará, que havia lhe pedido para deixar esta vida bandida e ir embora para fora do Nordeste.
Vinte e dois dias depois de receber a notícia que a passagem de comando está próxima, Lampião efetivamente já é chefe de grupo. Neste momento começa a imprimir sua horrenda marca pelo Nordeste e vai se tornar o maior cangaceiro do Brasil. Em 12 de março de 1926, Lampião recebe a patente de capitão do Exército Patriótico de Padre Cícero em Juazeiro do Norte - CE. Lampião tinha bastante respeito e devoção ao padre e sua chegada à cidade foi com festa, sendo até entrevistado. Foi a ultima vez em que reuniu toda a família para tirar uma foto. Recebeu muita munição e ordens para combater a Coluna Prestes.
Foi em dezembro de 1929 queLampião conhece Maria Bonita, casada com o sapateiro Zé de Neném. Ela já era apaixonada pelo cangaceiro e fugiu com ele deixando uma carta para o ex-marido. Foi a primeira mulher a participar do cangaço.
Lampião e Maria Bonita junto ao bando de cangaceiros travaram muitas batalhas e tiroteios por muitos anos. Lampião com grande conhecimento de estratégia planejava junto ao seu bando as invasões e os roubos por cada cidade que passava.
Por volta das 05h00minh do dia 28 de julho de 1938, os cangaceiros levantaram para rezar o ofício e se preparavam para tomar café; quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais. O bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa. Nesse dia morre o rei do cangaço e sua esposa com mais nove cangaceiros.
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Maria Bonita (Maria de Oliveira)
Início do século XX. Sertão nordestino. Uma Maria fez escolhas. Contrariou costumes da época, seguiu o caminho do coração e entrou para a história. É Maria Bonita, mulher de Virgulino Lampião.
Pouco se sabe da companheira de Lampião e de suas aventuras no sertão nordestino. Muita coisa é folclore. Maria Bonita virou mito, como Lampião e os cangaceiros. Virou filme, livro e história de cordel. Era uma mulher destemida. Era apenas Maria, Maria de Oliveira, e de bonita tinha os traços marcantes de mestiça, olhos ligeiramente puxados, ar maroto.

Era também Maria de Déa, porque filha de Déa, mulher do lavrador José Felipe de Oliveira, que tinha um sítio no Norte da Bahia, onde Maria teria nascido no dia 17 de janeiro de 1910.
Aos 17 anos casou com um pacato sapateiro, José de Neném. Ficou com ele até conhecer Lampião. As histórias contam que Maria abandonou José e também que foi José quem abandonou Maria. Teorias machistas de lado, a verdade é que Lampião namorou Maria: passou três vezes pelo sítio, até que um dia os dois se encontraram para viverem juntos por cerca de nove anos, entre 1929, ano do encontro, até a morte na caatinga, a 28 de julho de 1938.
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Moreno e Durvinha (Antônio Inácio da Silva e Durvalina Gomes de Sá)

A entrada dos dois no cangaço foi como reza a lenda. Numa jogada irônica do destino, o pernambucano Antônio Inácio da Silva, vulgo Moreno, passaria de candidato a policial recusado a cangaceiro convidado por Lampião. "Ele perambulou sertão adentro procurando emprego, queria ser policial, mas não o admitiram por ter baixa estatura e físico aparentemente frágil. Acabou convidado para ser cangaceiro e aceitou, tornando-se um dos maiores matadores de policiais do cangaço", relata o historiador baiano João de Sousa Lima,
autor do livro "Moreno e Durvinha: Sangue, Amor e Fuga no Cangaço". A baiana Durvalina Gomes de Sá, após sofrer maus-tratos da família na infância, foi para o cangaço aos 15 anos, apaixonada por Virgínio, vulgo Moderno, e após a morte deste, passou a viver com Moreno. É ela a mulher sorridente que avança para a câmera de revólver em punho no filme de Benjamin Abrahão, responsável pelo registro iconográfico do cangaço.
Durvinha e Moreno sobreviveram à emboscada que matou Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, na gruta de Angicos, Sergipe, em 1938. Após o episódio que marcou o declínio do cangaço, o casal ainda perambulou por dois anos entre Alagoas e Pernambuco até decidir fugir do Nordeste, deixando um filho aos cuidados de um padre na cidade natal de Moreno, Tacaratu (PE).
Em Minas Gerais, instalaram-se primeiro em Augusto de Lima (a 249 quilômetros de BH) e assumiram novas identidades: Jovina Maria da Conceição Souto e José Antônio Souto. Tiraram o sustento da fabricação e venda de farinha, paralelamente Moreno também foi proprietário de bordel;e tiveram quatro filhos, dos quais esconderam o passado cangaceiro. O segredo de Moreno e Durvinha só foram revelados em 2005, por uma das filhas do casal, a funcionária pública Neli Maria da Conceição, hoje com 60 anos. A pista foi uma foto do primogênito - Inacinho - que ela encontrou em uma das mudanças da família. "Minha mãe falava que teve de deixar o filho no Nordeste por causa da seca, então, ficava imaginando que meu irmão estava passando dificuldade", afirma.

Durante anos, Neli endereçou cartas a programas de televisão na esperança de encontrar o paradeiro do irmão. "Minha mãe dizia que nunca iriam descobrir quem era Jovina da Conceição e José Antônio Souto, mas eu sequer desconfiava que fossem nomes falsos", lembra a funcionária pública.
Durvinha morreu aos 93 e Morenoaos 100 anos.
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Candeeiro (Manoel Dantas Layola)


Menino pobre nasceu e se criou no município de Buíque em Pernambuco, de onde partiu um dia para as terras de Alagoas e, trabalhando duramente de sol a sol no roçado para ganhar o seu sustento, conheceu em 1936, um bando de homens com vestimentas esquisitas, chapelões enormes e armas nas mãos. O grupo do cangaceiro Virgínio vinha com uma volante policial em seu encalço, quando passou pela fazenda onde morava o jovem Manoel que não sabia que seu patrão era um coiteiro. Tomado de pânico e sem saber muito bem o que fazer ou para onde correr, acabou acompanhando aqueles homens. Passou então a se vestir e a viver como eles e, sem querer, sem um motivo aparente, virou um cangaceiro. Depois de mais de três meses na nova vida, depois de perambular pela caatinga com os cangaceiros Português e Jararaca, depois de ser ferido a bala em um tiroteio, conheceu Lampião e acabou ficando em seu grupo.
Viveu os dois últimos anos de vida do cangaço presenciando muitos acontecimentos, narrando-os sempre com um brilho nos olhos e, sem esconder uma grande admiração pelo seu antigo chefe. Após deixar o cangaço e acertar contas com a justiça, saiu pelo mundo à procura de novos desafios, sendo soldado da borracha no norte do país e depois trabalhando como Candango na construção de Brasília, a nova Capital Federal que surgia no planalto central pelas mãos de Juscelino Kubitschek.
Morreu em 24 de julho de 2013.
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Jesuíno Brilhante (Jesuíno Alves de Melo Calado)
Nascido no dia 2 de janeiro de 1844, no Sítio Tuiuiú, Município de Patu - RN, que na época era um distrito pertencente ao Município de Imperatriz (hoje Martins). Muito bom de montaria, atirador incomparável, jogava bem a faca e sua força física garantia-lhe sucesso na hora do “corpo a corpo”. Também era bom nadador, vaqueiro afamado, derrubador e laçador de gado. Sua pontaria infalível causava assombro, especialmente porque Jesuíno, ambidestro, atirava com qualquer das mãos.
Era um cangaceiro gentil-homem, adorado pela população pobre, defensor dos fracos, dos velhos oprimidos, das moças ultrajadas, das crianças agredidas. Não roubava e o seu bando era rigorosamente vigiado para respeitar o décimo mandamento. Foi até comparado com Robin Hood, o herói mítico inglês, o fora-da-lei que roubava dos ricos para dar aos pobres.
Sem dúvida, quando falamos em cangaço, nos apegamos muito a Lampião, devido a sua evidência em nossos livros, revistas, filmes, canções e diversos outros produtos. Mas bem antes dele e também de Antônio Silvino, cangaceiros que por mais tempo atuaram pelo Nordeste, enchendo páginas dos jornais de todo o país, encontra-se Jesuíno Alves de Melo Calado (Jesuíno Brilhante), um dos precursores do Cangaço, o bravo lendário do Oeste potiguar, famoso por distribuir entre os pobres os alimentos que saqueava dos comboios do governo.
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Adolfo Meia Noite
Em 1877, quando Antônio Silvino tinha apenas dois anos de idade, Adolfo Meia-Noite já dominava a região como cangaceiro. Ele com seus dois irmãos Manoel e Nobelino, por uma questão de honra, tiveram que se armar contra o desafeto conhecido como padre Quaresma (apelidado de padre, não se sabe por que) - um comissário de polícia, subdelegado naquela época. A razão dessa animosidade: uma paixão amorosa.
Adolfo era o galã da vila, disputado pelas garotas da localidade e, por inveja, o subdelegado traiçoeiramente o prendeu na localidade Varas, enviando-o à Ingazeira. Como não havia segurança nas cadeias daquela época, é colocado em um tronco. Quinze dias se passaram sem que seus familiares soubessem, porque o mesmo se achava incomunicável. Através de um conhecido foram informados que Adolfo tinha sido fichado como ladrão de
cavalo e que, se não o libertassem, ele iria morrer. A essa altura Adolfo não sabia qual a razão de estar preso, até que o tenente responsável por sua prisão lhe disse: - Você conhece Padre Quaresma? - Sim, disse o preso. - Pois ele mandou um presente. Ele respondeu: - Nada tenho a receber de um homem que me botou aqui sem eu merecer. Então o tenente lhe deu vinte lapadas com uma vara de espichar couro. A partir daquele momento ele ficou sabendo por quem e por que estava preso. E veio o desejo de vingança que tanto prejuízo causou a si e à família. A partir daí a vingança prevaleceu, sendo o comissário a primeira vítima e, em consequência, sua família se viu obrigada a se mudar. Por mais de cinco anos Adolfo e seus cangaceiros dominaram o Pajeú. Não só por esse trio era formado o grupo; Oiticica - cangaceiro de destaque - que também era seu parente, tombou em combate contra os “Quicés” que moravam no sítio Tamanduá e foram testemunhas contra Adolfo, quando foi preso. Nesse combate os ‘Quicés’ perderam dois membros da família. Eram eles parentes de Praxedes José Romeu, muito valente. Sob o comando de Praxedes cercaram a fazenda Volta e, por não encontrarem Adolfo, assassinaram o seu irmão Pacífico, que além de criança era retardado. Daí por diante o “granadeiro” falou.
Adolfo chegou a comandar dez cangaceiros. Não se registrou nenhuma Vila ou Cidade que ele não tivesse assaltado. Mas, ainda se vê no distrito de Jabitacá suas tradicionais trincheiras construídas de pedras soltas. As que mereceram mais atenção foram as da serra do Brejinho. Sobre aos nomes dos seus cangaceiros pouco se sabe, a não ser o de “Manoel do gado”, antigo marchante; e Almeida, filho natural da serra da Colônia, assassino frio que matou um primo do sítio Extrema por uma simples rapadura. Adolfo não estava presente e censurou essa atitude. Era Almeida de inteira confiança do chefe. Num certo dia pediu para visitar a família e quando retornou vinha “peitado” para matar Adolfo. Mas, foi mal sucedido, ganhando a morte pela infidelidade. Adolfo foi considerado a ovelha negra da família. Outra versão sobre Adolfo Meia-Noite - Era considerado um homem manso e romântico. Seu grande pecado foi a paixão que tinha pela prima, filha de um rico e poderoso fazendeiro daquelas ribeiras que, não achando ser o negro merecedor da donzela, mandou prendê-lo e açoitá-lo ao tronco colonial. Quando foi liberado do castigo, seu pai, sabendo do ocorrido, recusou-lhe a bênção porque ele não havia lavado sua honra com o sangue do tio. Na mesma noite, Adolfo esgueirou-se para dentro da casa do tio e o matou, fugindo em seguida para o vale do Rio Pinheiro. Como havia matado pessoa influente na região, virou foragido da justiça tendo que passar o resto de sua vida a fugir da polícia, levando consigo os irmãos Manuel e ‘Sinobileiro’.
Apesar de ter se tornado cangaceiro, Meia-Noite era tido como homem justo e pacífico. Isto ficou evidenciado num episódio em que ele e seu bando prenderam o negro Periquito, que levara consigo alguns bens do seu patrão.
O bando pressionava Periquito, querendo o dinheiro que este levava, quando Adolfo colocou-se contra aquela situação, dizendo aos companheiros: - Vocês não vêem que se ele leva dinheiro, este não lhe pertence? E dirigindo-se ao escravo pergunta: - Levas dinheiro contigo? - Sim, senhor - respondeu periquito. - Levo 500 mil réis do Sr. Paulo Barbosa. Ao ouvir esta resposta o bando se excita, mas o cangaceiro os repele: - Vá embora. Se precisar de alguma quantia, irei tomá-la do seu senhor, e não de você, que não é dono, pois se eu o fizer, certamente seu amo não irá acreditar na sua estória, e irá castigá-lo. Adolfo morreu na Paraíba, em confronto com a polícia.
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Sinhô Pereira (Sebastião Pereira e Silva)
Sebastião Pereira e Silva mais conhecido como Sinhô Pereira (Serra Talhada, 20 de janeiro de 1896 - Lagoa Grande, 21 de agosto de 1979) foi um cangaceiro brasileiro. Descendia do Coronel Andrelino Pereira da Silva, o Barão de Pajeú. Era alfabetizado e trabalhava no campo. Motivos familiares levaram-no a ingressar-se no cangaço, tendo recebido a insígnia de comandante de tropa. Pressionado politicamente e perseguido por forças policiais, viajou com o primo Luiz Padre para Goiás e Minas Gerais, onde obteve o título de cidadão mineiro. Ao deixar o cangaço, no ano de 1922, Sinhô Pereira entregou sua tropa para o comando de Virgulino Ferreira da Silva, que mais tarde recebeu a alcunha de Lampião.
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Vinte e Cinco (José Alves de Matos)
Nascido no dia 8 de março de 1917, em Paripiranga, na Bahia, ingressou no mundo do cangaço aos 16 anos de idade, no dia 25 de dezembro de 1933, razão porque Corisco o apelidou de "Vinte e Cinco".
Vinte e Cinco era de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs. Do segundo casamento do seu pai nasceram mais cinco homens e três mulheres. Teve vários primos e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: "Santa Cruz", "Pavão", "Chumbinho", "Ventania" e "Azulão 3". No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz era aceito no grupo de Mariano. Por conta de uma discussão com a cangaceira Dadá saiu do grupo de Corisco para o grupo de
Lampião.


No fatídico 28 de Julho de 1938 ele não se encontrava entre o bando porque havia sido incumbido de ir junto com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscarem uns mosquetões e umas munições.
Após a morte de Lampião Vinte e cinco se manteve escondido até se entregar as autoridades em novembro de 1938 junto com outros cangaceiros. Permaneceu preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu através de um amigo emprego no estado como Guarda Civil. Quando o governador Ismar de Góis Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia admitir um criminoso na guarda já que ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho que afirmou com toda convicção que entre os 38 guardas José Alves era o melhor profissional entre eles.
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O Secretário resolveu fazer um concurso entre os guardas e José Alves contratou duas professoras. Esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores mas quase foi reprovado justamente na "prova" de tiro, pois era acostumado com a Parabellum e teve que atirar com um revolver 38, abriram uma exceção para o candidato que então conseguiu provar sua habilidade e destreza. Atirando com uma parabellum ele acertou o alvo, depois de duas sequencias de erros com a outra arma.
Era casado com Maria da Silva Matos desde 1959, pai de uma prole de sete filhos, entre os quais há dentista, economista, assistente social, técnica de saúde e uma funcionária pública federal. Acerca do casamento, dizia que acreditava no destino, considerando que a esposa nasceu em 1938, exatamente no ano do extermínio do grupo de Lampião;
Faleceu no dia 15 de junho de 2014, na capital alagoana, aos 97 anos de idade, Vinte e cinco era "oficialmente" o ultimo ex-cangaceiro vivo.
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Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto)
Corisco era o apelido do cangaceiro Cristino Gomes da Silva Cleto (10 de agosto de 1907, Água Branca - Alagoas, 25 de maio de 1940, Jeremoabo - Bahia). Foi casado com Sérgia Ribeiro da Silva, alcunha de "Dadá". Corisco era também conhecido como Diabo Louro. Em 1924, Corisco foi convocado pelo Exército Brasileiro para cumprir o serviço militar. Em uma briga de rua Corisco matou um homem , no ano de 1926, e tomou a decisão de aliar-se ao bando do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, apelidado Lampião. Corisco era conhecido por sua beleza, seu porte físico atlético e cabelos longos deixavam-o com uma aparência agradável, além da força física muito grande, por estes motivos foi apelidado de Diabo Louro quando entrou no bando de Lampião. Corisco sequestrou Sérgia Ribeiro da Silva, a Dadá, quando ela tinha apenas treze anos e mais tarde o ódio passou a ser um grande afeto. Corisco ensinou Dadá a ler, escrever e usar armas. Corisco permaneceu com ela até no dia de sua morte. Os dois tiveram sete filhos, mas apenas três deles sobreviveram.
Desentendimentos com o chefe Lampião levaram Corisco a separar-se do bando e a formar seu próprio grupo de cangaceiros, mas isso não afetou muito o relacionamento amigável entre ambos. Em meados do ano de 1938 a polícia alagoana matou e degolaram onze cangaceiros que se encontravam acampados na fazenda Angico, no estado de Sergipe; entre eles encontravam-se Lampião e Maria Bonita. Corisco, ao receber essa notícia, vingou-se furiosamente.


Em 1940 o governo Vargas promulgou uma lei concedendo anistia aos cangaceiros que se rendessem. Corisco e sua mulher Dadá decidiram se entregar mas, antes que isso acontecesse, foram baleados. O cerco contra o cangaceiro e seu bando foi no estado da Bahia, na cidade de Barra do Mendes, em um povoado denominado Fazenda Pacheco. Corisco e seu bando repousavam em uma casa de farinha no momento do combate após almoçarem. O ataque foi comandado pela volante do Zé Rufino, juntamente com o Ten. José Otávio de Sena. Dadá precisou amputar a perna direita e Corisco veio a falecer naquele mesmo ano. Com as mortes de Lampião e Corisco, o cangaço nordestino enfraqueceu-se e acabou se extinguindo. Corisco foi enterrado, no cemitério da consolação em Miguel Calmon, na Bahia. Depois de alguns dias sua sepultura foi violada, e seu corpo exumado. Seus restos mortais ficaram expostos durante 30 anos no Museu Nina Rodrigues ao lado das cabeças de Lampião e Maria Bonita.
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Dadá (Sérgia Ribeiro da Silva)



Nascida em Belém de São Francisco, Pernambuco, em 25 de abril 1915, e uma das filhas do casal Vicente R. da Silva / Maria R. S. da Silva, Dadá entrou no cangaço aos 13 anos de idade.
Numa entrevista que concedeu em 1977, ela contou que Lampião chegara à sua casa, “onde fez uma baderna danada”. Na época, Dadá morava na fazenda Macucuré, entre os municípios de Glória e Paulo Afonso, no interior do estado da Bahia.
De repente, disse Dadá, Lampião chamou Corisco e, em tom de brincadeira, disse para ele: “Como é? Você não quer desmamar esta menina?” Corisco deu uma gargalhada, me pegou no colo, me colocou na sela do seu cavalo e saiu a galope. Depois, lembrou, “foram 12 anos de luta, correndo ou enfrentando a Policia por toda parte”. Sérgia, que ficou conhecida pelo apelido de Dadá, tinha, apenas 13 anos. A 25 de maio de 1940 Corisco e seu bando é cercado em Brotas de Macaúbas, pela volante do tenente Zé Rufino.
Uma rajada da metralhadora rompe os intestinos de Corisco. Dadá é ferida na perna direita.
O último líder do cangaço morre dez horas depois do ataque, sendo enterrado em Jeremoabo e, dez dias após, exumado e a cabeça decepada é enviada ao Museu, junto às demais do bando. Dadá, colocada em condições infectas, tem seu ferimento agravado para uma gangrena, que lhe restou, na prisão, à amputação quase total da perna.
Dadá passou a viver em Salvador, lutando para ver a legislação que assegura o respeito aos mortos fosse cumprida - e a tétrica exposição do Museu Antropológico Estácio de Lima , localizado no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues tivesse fim. Só a 6 de fevereiro de 1969, no governo Luiz Viana Filho, foi que os restos mortais dos cangaceiros puderam ser inumados definitivamente - tendo, porém, o museu feito moldes para expor, em substituição.
Por sua luta e representatividade feminina, Dadá foi, na década de 1980, homenageada pela Câmara Municipal de Salvador. Na Bahia, que tivera Gláuber Rocha e tantos outros a retratar o cangaço nas artes, Dadá era a última prova viva a testemunhar o cotidiano de lutas, dificuldades e, também, de alegrias e divertimentos. Deu muitas entrevistas, demonstrando sua inteligência e desenvoltura. Morreu 8 de fevereiro de 1994 vitimada por um câncer generalizado.
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Labareda (Ângelo Roque da Costa)
Ângelo Roque da Costa nasceu em Jatobá, Tacaratu, em Pernambuco. Entrou para o banditismo em 1928, quando conheceu Lampião. Seu primeiro encontro com Virgulino foi na Fazenda Arrasta-Pé, na margem baiana do São Francisco.
Pouco antes de 1928, em Jatobá, um soldado da força local deflorou uma irmã de Ângelo. O caso foi para a Justiça, mas o soldado era protegido da política "de cima" - as queixas de Ângelo de nada valeram.
- "Então resolvi fazer justiça com as minhas próprias mãos. Fui na casa do soldado, mas só estava lá a mulher dele. Esperei na porta até que ele chegasse. De noitinha ele apareceu, e então eu lhe disse que ia morrer. Atirei duas vezes. O "praça" caiu de bruços, mas não morreu. Me disseram depois que andou muito tempo á beira da morte, mas não morreu".

O medo da prisão jogou Ângelo Roque na caatinga: durante vários meses, andou como um sem pouso pelos áridos caminhos do sertão. Pouco aparecia nas cidades. Trabalhou em roças, dormia no mato. Conheceu, depois, os cangaceiros Corisco e Arvoredo, e os dois lhe explicaram que a única maneira de viver tranquilo, longe da polícia, era entrar para o cangaço. Em 1928, quando conheceu Lampião, se decidiu
Depois do massacre na grota dos Angicos a Justiça foi implacável para com os antigos reis do cangaço: Ângelo e seus amigos foram condenados, cada um, a trinta anos de prisão.
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Zé Sereno (José Ribeiro Filho)


Nasceu em 22 de Agosto de 1913, na Fazenda dos Engrácias, no município de Chorrochó, no Estado da Bahia. Era filho de José Ribeiro e de dona Lídia Maria da Trindade. Sua mãe era irmã dos cangaceiros Antônio e Cirilo de Engrácias.
O cangaceiro Zé Sereno faleceu em 1981, no dia 16 de fevereiro no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo. Teve como companheira a cangaceira Sila. Ele comandou um subgrupo de facínoras.
Esteve presente no combate de Angico no dia 28 de julho de 1938 e conseguiu fugir com sua companheira. O seu bando chegou ao lugar dia 26, portanto dois dias antes da Morte de Lampião, Maria Bonita e mais 9 cabras, que foram vitimados pela fuzilaria da volante de Zé Bezerra.
Depois da morte de Lampião os cangaceiros dos diversos grupos ficaram desorientados. Os chefes resolveram se encontrar em Pinhão, Sergipe, em 15 de outubro de 1938, para combinara maneira como iam se entregar a polícia. Lá estavam reunidos os grupos de Zé Sereno, Ângelo Roque (Labareta) e o de Corisco. Enquanto esperavam as autoridades para indicar os procedimentos foram atacados pelos soldados sergipanos, comandados pelo cabo Zé Grande. Morreram metralhados três cangaceiros que estavam desarmados: Amoroso, Cruzeiro e Bom-de-Veras.
Nesta mesma semana de outubro de 1928, o chefe Zé Sereno se entregou a polícia com vinte e seis cabras do seu grupo. Os grupos de Corisco e Ângelo Roque (Labareta), continuaram na bandidagem.
No dia 21 de outubro de 1938, o cangaceiro Zé Sereno acompanhado dos cangaceiros Balão, Criança, Novo Tempo, Pemambuco, Laranjeiras, Quina-Quina, Marinheiro e Candeeiro se entregaram ao capitão Aníbal, da polícia baiana, sediada em Jeremoabo.
O cangaceiro Zé Sereno, em entrevista ao Correio da manhã, do Rio de Janeiro, a 28 de julho de 1971, caderno Anexo, recordando a tragédia de Angico, assim se exprime:
"O coiteiro (Pedro Cândido) chegou com os alimentos envenenados a mando da volante, menos três litros de pinga que, normalmente, ele próprio, o coiteiro, deveria ingerir em pequenas doses para provar sua confiança (...) minha suspeita com Pedro de Cândido confirmou-se depois que ele se foi (...). Apanhei um litro de vermute Cinzano e notei um pequeno buraco na rolha, provavelmente feito por uma seringa. Chamei Lampião e disse-lhe:
"O senhor é cego de um olho, mas pode ver que esta bebida está envenenada".
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Volta Seca (Antônio dos Santos)


Antônio dos Santos, vulgo Volta Seca, sergipano de Itabaiana, ingressou no bando de Lampião quase menino para escapar às surras diárias que sua madrasta lhe aplicava. Pode se dizer que pulou da frigideira e caiu no braseiro porque começou a ser surrado por Lampião e pelos demais por causa de suas peraltices, próprias da idade. Suas funções se limitavam a dar banho
nos cavalos, lavar louça e roupa suja e também espionar nas cidades se havia muitos policiais em ronda. Tanto apanhou que acabou se tornando um dos cangaceiros mais violentos de todo o bando. Astuto, corajoso e agressivo, em contraste com uma grande sensibilidade artística. Apesar de semi alfabetizado, escrevia com grande facilidade versos e também compunha músicas que o bando inteiro conhecia e entoava com entusiasmo quando estava acampado em alguma fazenda sob proteção do próprio dono.
Volta Seca foi preso 3 vezes, tendo fugido nas duas primeiras. Foi sentenciado a 145 anos, mais tarde a pena foi reduzida para 30 e finalmente para 20, não a tendo cumprido integralmente porque o presidente Getúlio Vargas lhe concedeu o perdão, em 1954. O cangaceiro Volta Seca morreu em 1997 em Leopoldina, Minas Gerais, onde estava morando.
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Antônio Silvino (Manoel Batista de Morais)
Antes de Lampião, ele era o cangaceiro mais famoso e seu apelido mais conhecido foi “Rifle de Ouro”. Nascido no dia 2 de dezembro de 1875, em Afogados da Ingazeira, Manoel Batista de Morais entrou para a história como Antônio Silvino. Durante 16 anos, driblou a polícia, praticou saques e assassinou inimigos, mas era tratado pelos poetas populares como um “herói” por respeitar as famílias. Ainda jovem, integrou o bando liderado por seu tio, Silvino Aires Cavalcanti de Albuquerque. Com a prisão deste em Custódia, assume o comando e muda o nome e sobrenome, homenageando o parente. Antônio Silvino entrou para o cangaço aos 21 anos de idade, com o irmão, Zeferino, depois da morte do pai, Batistão do Pajeú, em plena feira de Afogados da Ingazeira, em dia 3 de janeiro de 1897. Procurado pela polícia, Batistão ousou entrar na cidade no dia mais movimentado da semana e foi alvejado por um tiro de bacamarte disparado por Desidério Ramos, desafeto e contratado pelo coronel Luís Antônio Chaves Campos, chefe político local.
A invencibilidade de Silvino terminou no dia 28 de novembro de 1914, quando ocorreu o seu último tiroteio com a polícia. Atingido no pulmão direito, conseguiu se refugiar na casa de um amigo e disse que ia se entregar. Da cadeia de Taquaritinga seguiu, dentro de uma rede, até a estação ferroviária de Caruaru, onde um trem especial da Great Western o levou para o Recife. Uma multidão o aguardava na Casa de Detenção, atual Casa da Cultura. Antônio Silvino tornou-se o detento número 1.122, condenado a 239 anos e oito meses de prisão. Em 4 de fevereiro de 1937, depois de vinte e três anos, dois meses e 18 dias de reclusão, foi indultado pelo presidente Getúlio Vargas.
Morreu em 30 de julho de 1944, em Campina Grande, na casa de uma prima.
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Sabino Gomes
Sabino Gomes de Góis, alusivamente conhecido como “Sabino das Abóboras” nasceu na Fazenda Abóbora, localizada na zona rural do município de Serra Talhada/PE, próximo a fronteira com a Paraíba pertencente ao respeitado coronel Marçal Florentino Diniz pai de Marcolino Pereira Diniz. No local eram criadas grandes quantidades de cabeças de gado, havia vastas plantações de algodão, engenho de rapadura e se produziam muitas outras coisas que geravam recursos. Também existem dois riachos, denominados Abóbora e da Lage, que abastecem de forma positiva a gleba.
Sabino era filho da união não oficial entre o coronel Marçal Florentino Diniz e uma cozinheira da fazenda. Consta que ele trabalhou primeiramente como tangedor de gado, o que certamente lhe valeu um bom conhecimento geográfico da região. Valente, Sabino foi designado comissário (uma espécie de representante da lei) na circunvizinhança da fazenda Abóbora.
Morreu em 1928 numa noite de chuva forte e muito relâmpagos no céu, Sabino e mais outros comparsas, se deslocaram até a sede da fazenda, para buscar munições e armas, e ao atravessar por um "passadiço" de uma cerca, foi iluminado por um relâmpago, sendo visto e alvejado rapidamente pelos policias da volante de Arlindo Rocha. Era a morte e o fim de Sabino das Abóboras. Poucos cangaceiros foram tão cultivados, fora o chefe Lampião, do que Sabino Gomes, cuja presença no cangaço a cultura popular se encarregou de perpetuar, a exemplo da trova divulgada pelas bandas do sertão, a qual dizia: "Lá vem Sabino mais Lampião, Chapéu quebrado, fuzil na mão".
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Luiz Pedro


Nasceu em Triunfo – PE. Aos 14 anos de idade, atraído pela aventura das armas, fugiu de casa para juntar se ao bando de Lampião o que causou profundo desgosto aos familiares.
Foi um dos mais celebres cangaceiros do sertão nordestino, como membro permanente do estado maior do cangaço, “na confraria dos compadres”. Acompanhou Lampião por quase 15 anos como fiel lugar tenente, guarda costa, compadre e irmão conselheiro. Pelo seu desempenho calmo e comedido era chamado de Príncipe do Cangaço.
Era educado, alvo de olhos azuis, bonito para os patrões da época em que viveu. Tinha plena consciência da vida desgraçada de bandoleiro e sem saída em que vivia, afirmava: ‘eu sô Cuma um urubu! Minha vida num vale mais duque um palito de fosfo riscado.’ Era um cangaceiro rico! Luiz Pedro não teve vulgo, assumindo o seu próprio nome e responsabilidade por seus atos. Teve como companheira a baiana Neném do Ouro, a quem devotou grande amor. Ela faleceu muito jovem em 1936 baleada em um combate em Mocambo perto do Rio São Francisco.




